Aos 61 anos ele se formou em direito e diz: “Ainda não caiu a ficha”.

Lauremar Roque de Souza Dias contrariou as estatíticas, e mesmo idoso, não deixou a oportunidade escapar, com 55 anos começou a cursar o ensino superior. Negro e periférico, não tinha tido até então uma chance de fazer uma faculdade, mas hoje, pode dizer com orgulho que possui um diploma.

Natural de Montes Claros, em Minas Gerais, o bacharel em direito mora em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, onde é casado e pai de quatro filhos. Antes da graduação, já trabalhou como fiscal de caixa, vigia de prédio e até serviu no Exército.

“Minha mãe sempre cobrou da gente que, para você mudar de vida, tem que ter Deus no coração e os estudos. E essa vontade sempre foi minha”, conta o advogado recém-graduado, disse a Agencia Mural.

A dura realidade que enfrentou

Apesar de ter o percurso escolar atrasado pela necessidade de trabalhar para sustentar a família – inclusive, ele faz questão de enfatizar que concluiu o ensino médio por meio do EJA (Educação para Jovens e Adultos) –, Lauremar se inscreveu no vestibular da Universidade Zumbi dos Palmares após ser encorajado pelos familiares.

Ele não sabia o que poderia esperar de um vestibular, já que nunca tinha tido essa experiência:

“Não sabia qual seria o tema da redação e as perguntas, e era a minha primeira vez. Você já sente um clima totalmente diferente”, lembra.

Ao se dar conta que havia passado, correu para contar aos familiares e amigos.

“Minha reação foi a melhor possível. Fiquei muito feliz mesmo”, conta Lauremar.

Lauremar Roque entrou na universidade aos 55 anos com o apoio da família
@Arquivo pessoal

“Com o apoio da família e de amigos, entrei lá com uma experiência de vida e a missão de não errar ou errar o mínimo que eu pudesse. E assim foi feito”, disse.

Cada etapa da vida, um desafio

Enquanto cursava a faculdade ele teve que enfrentar desafios como a diferença de idade. Mas isso, ele tirou de letra.

“É por isso que o direito é fascinante. O mesmo respeito que tinham com os mais velhos, tinham com os garotos de 17 e 18 anos. Todas as pessoas eram iguais.”

Segundo ele, a idade não foi um problema, mas falar em público foi o seu grande desafio.

“Cresci imensamente nesses cinco anos do curso”, garante.

Segundo ele, outro desafio foi o transporte até a faculdade:

Ônibus, trens e o Metrô eram os tipos de transporte utilizados diariamente. Ele saía do extremo leste da cidade por volta das 17h, ainda correndo o risco de chegar atrasado na primeira aula.

“O que complicava era em dia de prova, porque elas têm horário para começar. Às vezes o Metrô dava problema, então eu já saía de casa preocupado”, relata.

Durante a pandemia ele iniciou os estágios em direito civil, área que o encantou durante o curso, por gostar muito de matemática.

“Advogado não gosta de matemática, mas eu sempre tive uma quedinha por números. Na partilha [de bens] vai muito disso.”

O idoso segue tendo sonhos e fazendo planos de futuro.

“Meus planos para o futuro profissional são os melhores possíveis. Em relação à OAB, são três coisas que tenho que fazer: estudar, estudar e estudar. E muito. Porque o exame de ordem não é fácil”, conta Lauremar, que atualmente está desempregado.

E, apesar de estar iniciando a carreira aos 61 anos, ele se mostra confiante em relação ao mercado de trabalho.

“Diferentemente da empresa privada, o operador de direito é um profissional liberal. Não tem essa diferenciação do mais jovem ou mais velho, depende muito da competência do profissional”, finaliza.

Esse idoso merece aplausos e serve de inspiração para muitos que acham que já estão velhos de mais para sonhar e realizar seus sonhos.

*DA REDAÇÃO HP.


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