Brasileiro com vitiligo vence depressão, vira modelo e ganha o mundo

Hoje o Roger Monte é modelo, faz comerciais de grandes marcas, dá entrevistas para jornais estrangeiros, recebe elogios nas redes sociais e adora “o colorido” do corpo dele, provocado pelo vitiligo. Mas até chegar a esse estágio de aceitação e reconhecimento, ele teve que vencer a depressão e o preconceito, próprio e dos outros.

“Carioca da gema”, como diz e atualmente morando na Rocinha, Roger descobriu a doença autoimune – caracterizada por manchas brancas na pele – há 13 anos, quando tinha 24 anos de idade e ficou desesperado.

“Minha primeira mancha apareceu aos 23 e fui diagnosticado com 24 anos. [Eu tinha] um relacionamento complicado e tóxico na época. Quando essa relação chegou ao fim, as manchas aumentaram, e junto delas, aumentou o meu desespero, meu estresse e com isso, minha autoestima foi lá no chão”, contou Roger Monte em entrevista ao Só Notícia Boa.

Ele lembra que, junto com as manchas do vitiligo, veio a depressão: “Eu me culpava, fiquei depressivo, não estava me reconhecendo mais. Foram anos sombrios! Eu achava que minha vida nem havia começado direito, [mas] tinha chegado ao fim!”, disse.

Preconceito

Roger revelou que na época usava corretivo da mãe dele para “camuflar as manchas do rosto, para disfarçar o “problema”. E as manchas iam crescendo e eu quando vi, estava com corretivo no rosto inteiro”.

E ele disse que chegou a ter nojo da própria pele: “Eu sofri vários, mas o pior deles, era o meu [preconceito] mesmo. Eu chegava a ter nojo da minha pele. Imagina você estar preso numa pele que você tem nojo?”, questionou.

A virada

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Felizmente, em 2017, ele conseguiu se libertar do próprio preceito e decidiu mostrar a imagem dele, sem maquiagem, nas redes sociais.

“Resolvi mostrar minha pele como ela era no meu Instagram. Eu tinha certeza que as pessoas iriam se assustar, me criticar, ter nojo de mim, algo deste tipo. E foi aí que eu me surpreendi. Muitos amaram meu visual, minha atitude, achavam minha pele incrível e a partir daí, conheci pessoas que também tinham vitiligo ao redor do Brasil e vi que muitos estavam passando pelo mesmo que eu. Em busca de aceitação, de se reconhecer novamente”, contou.

Modelo

Com a libertação, os caminhos de Roger Monte se abriram. Hoje ele tem 37 anos, 1,83 de altura e 88kg e é contratado pela Rock em SP e pela Front no Rio.

[No início] “Alguns fotógrafos se interessaram no meu visual e queriam a oportunidade de me fotografar e eu achava isso louco, eu nem gostava de foto, ainda mais por conta do vitiligo, não gostava muito de me ver em fotos. Aí eu fui aceitando”, disse ao SNB.

Primeiro o modelo ganhou visibilidade nacional. Foi em “uma exposição chamada “Eu Não Sou Comum”, divulgada no jornal O Globo. Uma semana depois, fui convidado para fazer uma reportagem para o programa “Encontro”, na TV Globo.

Nisso ele começou a ser chamado por agências: “Diversas agências queriam me representar, e eu achava isso mais louco ainda, eu tinha 35 anos e achava que estava velho pra isso. E aí as coisas estão acontecendo”.

“Eu já fiz passarela, comercial… Eu não sou magrinho como os caras com 20 anos a menos que eu, tenho o corpo mais real, porém consigo andar bem numa passarela. Como aprendi a fotografar bem também”, afirmou.

A consagração internacional veio este ano, quando o jornal inglês Daily Mail fez uma reportagem sobre o brasileiro (foto abaixo)

“Depois disso a matéria foi reproduzida em vários países, por vários jornais do mundo”, comemorou.

Orgulho próprio

Infelizmente, a pandemia também colocou um freio nos desfiles e castings, mas Roger não se abala. Ex-estudante de administração, ele trabalha como vendedor em uma loja para garantir o pagamento das contas e complementa a renda com oportunidades que chegam para fazer comerciais e atuar como modelo, como o mais recente trabalho dele para a linha de cosméticos da MAC (vídeo abaixo)

E o que antes foi motivo de tanto sofrimento, agora deu lugar ao orgulho próprio.

“Na rua até hoje eu recebo olhares, muitos pra elogiar, muitos pra criticar, muitos com dúvida sobre a doença. Sendo que agora que eu me reencontrei, eu não consigo mais me perder pelo pensamento ou pelos olhares de ninguém. Meu amor próprio, por mim, pela minha história, pelas minhas cores, é precioso demais pra mim.

Hoje eu não chamo o vitiligo de doença. Eu chamo de característica! E eu sou orgulho da característica que Deus me presenteou porque ela me fez ser quem eu sou. Antes eu era apenas mais um cara normal. Hoje eu tenho maior orgulho de ser esse cara colorido que me tornei!”, concluiu.

*DA REDAÇÃO HP. Com informações SNB


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