Por Michelle Farris

Em relacionamentos saudáveis, as pessoas podem pedir o que precisam sem tornar os outros responsáveis pela sua felicidade. Relacionamentos se tornam mais íntimos sem se tornarem simbióticos. Os limites são respeitados sem fazer com que o outro se sinta culpado.

Nas relações de dependência emocional, ou codependentes, as fronteiras perdem seus contornos. Uma pessoa torna-se o cuidador ou salvador, tentando consertar ou resolver os problemas da outra pessoa. Assim começa o ciclo de codependência nas relações.

Pode haver vício na interação, mas nem sempre. Codependência pode acontecer em qualquer relacionamento. É comum em relacionamentos românticos, mas também pode se desenvolver com amigos e familiares, especialmente entre pais e filhos. Neste artigo, você aprenderá a identificar uma relação codependente e o que é necessário para curar esse padrão de relacionamento disfuncional.

Relacionamentos codependentes são intensos

Relacionamentos codependentes são como uma montanha russa emocional. Quando uma pessoa dá “muito”, muitas vezes se sente oprimida. Isso cria estresse e ansiedade para todos ao seu redor. É difícil relaxar quando você está com alguém que não pega leva e simplesmente aproveita o momento.

Essas relações criam um vínculo obsessivo. Seu foco principal é ajudar, consertar ou resgatar o outro. Um dos parceiros assume o papel de gerir a vida do outro. Essas relações não têm o equilíbrio saudável da reciprocidade, que é necessário para a intimidade real.

Na medida em que as pessoas codependentes são “humanos resolvedores” (em oposição aos seres humanos), ninguém sabe quem eles realmente são, e, infelizmente, nem eles próprios.

Barbara é vista como a pessoa a quem recorrer em busca de conselhos de relacionamento. Sua família se desentende constantemente e espera que ela resolva as coisas. O stress chegou num ponto que agora ela sofre de enxaquecas.

Sinais de uma relação codependente

Relacionamentos codependentes consistem em um padrão de relacionamento disfuncional baseado no controle, expectativas irreais e excessivamente baseada em ajudar outras pessoas às suas próprias custas.

Alguns sinais de relações codependentes incluem:

  1. Doar-se de forma contínua e obsessiva aos outros, o que diminui o tempo de lazer e o autocuidado.
  2. Ter expectativas irreais, o que faz com que os outros se sintam inadequados.
  3. Evitar definir limites e dizer não, ao ponto de se sentir ressentido ou oprimido.
  4. Criar um desequilíbrio com o sentimento do codependente, sentindo-se superior.
  5. Tentar controlar o comportamento da outra pessoa, o que provoca tensão.
  6. Preocupar-se excessivamente com o que as outras pessoas pensam, o que pode diminuir a honestidade.
  7. Esconder verdadeiros sentimentos para evitar conflitos ou perturbar os outros.
  8. Sentir-se ressentido e abusado.

Relacionamentos codependentes têm problemas de controle

As pessoas codependentes pensam que têm de ser responsáveis por tudo. Elas precisam saber o que está por vir, para se sentirem seguras porque, quando crianças, provavelmente experimentaram abuso ou negligência, o que os tornaram hipersensíveis a conflitos.

Seu comportamento de controle, perfeccionista, pode deixar os outros sentindo como se eles não fizessem nada direito.

Mariana gosta de se sentir “responsável” e é a primeira a ser voluntária na igreja. Isso causou alguma tensão com outros membros da igreja, porque ela espera que eles sigam suas ordens. E ela só vê uma maneira certa de fazer as coisas. As pessoas estão começando a reclamar.

Codependentes resistem ao autocuidado

Praticar o autocuidado faz com que as pessoas codependentes se sintam culpadas. Elas se mantêm excessivamente ocupadas e gastam sua energia se preocupando com os outros. Uma vez que não querem perturba-los, elas raramente comunicam suas necessidades ou pedem qualquer coisa diretamente.

As pessoas codependentes tornam-se tão absorvidas na vida dos outros que já não sabem o que é preciso para serem felizes. Eles odeiam cometer erros e lutam contra o perfeccionismo.

Ao tentar melhorar a vida de outras pessoas, eles negligenciam a sua própria. Pessoas codependentes não sabem do que gostam, porque são focadas apenas no que os outros quereme e gostam. Esta é a marca registrada da codependência.

Como o autocuidado é difícil, os codependentes têm expectativas irreais nas relações. Eles esperam que outros dêem tanto quanto eles receberam. Esta expectativa inicia o ciclo codependente: dar tudo aos outros, silenciosamente esperando que suas necessidades sejam atendidas, apenas para se decepcionarem novamente. Isso gera desespero e raiva.

A família de Alice pede constantemente que ela cuide de seus filhos, embora ela trabalhe em tempo integral. Ela não sabe como dizer “não” para eles, mesmo não tendo tempo para ir à academia ou fazer qualquer coisa para se divertir. Ela luta com a depressão e sente como se estivesse perdendo a si mesma.

Relacionamentos codependentes significam “você me completa”

Pessoas lutando com a codependência precisam de aprovação dos outros, a fim de se sentirem-se bem consigo mesmas. Agradar os outros torna-se sua principal fonte de validação. Elas incorporam grandes desafios, ignorando seus próprios valores para obter o amor que almejam.

As pessoas codependentes tornam-se totalmente dependentes de suas relações. As necessidades pessoais são ignoradas porque elas ficam desconfortáveis pedindo ajuda. Não perturbar os outros torna-se uma motivação primária.

Marcos é um cara calmo e fácil de lidar. Ele tende a entrar em relacionamentos com as mulheres que se aproveitam dele financeiramente. Como não quer ficar sozinho, ele nunca diz nada, embora esteja agora com problemas de dinheiro.

A relação codependente-alcoólica

A relação entre um viciado/alcoólico e o “ativador” é o tipo mais comum de relação codependente. Tentar deixá-los sóbrios ou minimizar o sofrimento do viciado se transforma em uma obsessão. O dependente torna-se o “paciente”, enquanto o codependente tenta controlar seu comportamento.

Codependentes pensam que a solução é manter o alcoólico sóbrio, mas se recuperarem da codependência é o que realmente ajuda codependentes a acabarem com o seu padrão de preocupante, obsessivo e de autossacrifício.

Antônio preocupa-se constantemente com a bebida de sua esposa. Ele esconde as chaves de seu carro e derrama seus drinks, então ela não bebe e dirige.

Dicas práticas para curar relacionamentos codependentes

  1. Começar a colocar suas necessidades em primeiro lugar, em seguida, identificar o que você pode dar ao outro.
  2. Ser honesto sobre o que você precisa, em vez de minimizar o que é importante para você.
  3. Apenas sugerir soluções e conselhos se for solicitado para tal.
  4. Praticar dizer “não”, mesmo que seja desconfortável. Não há problema em ser humano e pedir apoio, ou fazer o que acha certo para você.
  5. Redirecionar o foco das necessidades dos outros para as suas próprias necessidades.

Iniciando a recuperação de codependência

A recuperação de codependência começa ao admitir que você é impotente sobre os outros. Encontrar um equilíbrio entre o autocuidado e ajudar os outros é um grande objetivo. Engajar-se em programas para amigos e familiares de alcoólicos, ou codependentes anônimos pode ser muito útil, para casos de adição.

Relacionamentos codependentes levam tempo para se recuperarem, mas obter o suporte certo torna o processo menos assustador. Seja participando de grupos de apoio, ou buscando terapia, a recuperação da codependência não pode ser feita isoladamente. A esperança é restaurada quando nos unimos aos outros — e isso pode mudar tudo.

 

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