Pois é, colega, que atire a primeira pedra quem já não tomou um belo pé na bunda, foi posto pra escanteio, largado, abandonado, escorraçado do coração de uma mulher. Levar um fora dói. Dói no ego, dói no corpo, dói na alma. Mesmo quando não estamos tão apaixonados assim, ser rejeitado provoca sentimentos pesados de inadequação e fracasso, derruba a autoestima.

Tem aqueles cabras que não aceitam o fim da relação, ficam obcecados, paralisados na ideia fixa de reconquistar o amor perdido. Tem também os que se jogam na gandaia, colecionando relacionamentos superficiais para anestesiar o sofrimento da perda. Ainda há os que ficam depressivos, reclusos em casa, revoltados com as injustiças da vida. E o pior caso, que é o dos que ficam traumatizados eternamente, fechados para relacionamentos íntimos, como se formassem uma carapaça protetora “antienvolvimento”, como precaução à provável frustração que cedo ou tarde teriam com futuras parceiras.

Quando um relacionamento termina, o processo que se inicia é como o de um luto. A perda precisa ser digerida, processada e precisa ser superada. Há quem acredite que para se superar de modo saudável o fora, de forma que não deixe sequelas emocionais, seja preciso passar pelos 5 estágios do luto:

1. Negação e Isolamento: “Isso não pode estar acontecendo.”
2. Cólera (Raiva): “Por que eu? Não é justo.”
3. Negociação ou barganha: “Se eu fizer isto ou aquilo ela voltará”
4. Depressão: “Estou tão triste. Por que me preocupar com qualquer coisa?”
5. Aceitação: “Tudo vai acabar bem.”

Pode até ser mesmo uma dor comparável a de uma morte, por isso claro que há situações em que é preciso de uma intervenção mais contundente. Investir em terapias e até fazer uso de medicações antidepressivas pode ser necessário para algumas pessoas. Quando o caso parecer estar paralisando o colega, comprometendo sua vida profissional e em família, trazendo prejuízos da qualidade do sono, o tornando desmotivado e infeliz além da conta, vale procurar ajuda profissional.

Para todos os outros casos, para superar um término sem grandes traumas na prática, é importante ter em mente que:

1. Amigos são pra essas horas

Sim, conte pros mais chegados o que aconteceu, sem fazer pinta de machão, assumindo que tomou e não que deu o fora. Amigos de verdade sabem ajudar em momentos de crise! Levam pra viajar, passear, jogar papo fora, bater uma bolinha, etc. Distrair a mente, trocar ideias, rir, ajuda a redimensionar os fatos e processar melhor o fora.

2. É preciso dar unfollow nas redes sociais

Ninguém merece acompanhar a felicidade daquela que te deixou na lama, ler seus posts saidinhos, ver seus pretês dando em cima dela descaradamente. Isso se ela já não tiver se antecipado e te dado um block primeiro. Ter ex em rede social não é pra todos, requer muita maturidade, muito tempo decorrido do fora e principalmente, muito amor próprio pra não se abalar com o que testemunhar ali.

3. É permitido sofrer

Pode parecer estranho, mas sofrer tudo na hora certa tem muito a ver com a superação do fora. Quem se joga na bebida, nas baladas, nas noitadas, no fundo está em busca de um anestésico pra dor do fora. E anestésicos são paliativos, quando passa o efeito, a dor volta, podendo ser ainda maior depois. Ficar trancafiado em casa, derramar aquelas lágrimas que insistem em aparecer, curtir um pouco a solidão, tudo isso ajuda a refletir sobre o relacionamento, sobre o que levou ao seu final, rever seus comportamentos que podem ter ou não colaborado para esse desfecho. Sem reflexão, tendemos a repetir os mesmos erros em outros relacionamentos. Então deixe a bad se apossar de você por uns dias, até que com lucidez, você perceba que está pronto pra outra!

4. A dor vai passar

Dê tempo ao tempo. Duas semanas, um mês, seis meses… Cada um vai saber quando já não sente mais aquele nó na garganta ao falar da ex, quando não tem palpitação ao encontra-la e já não tem mais vontade de reatar o relacionamento. Tudo vai depender da intensidade da paixão, da profundidade do vínculo, do nível de contato que mantiveram após o fora e até da proximidade comum do círculo de amigos dos dois. Conviver diariamente com a algoz do seu coração no trabalho, por exemplo, requer muito mais civilidade e força do que se ela simplesmente desaparecesse de seu convívio após o término. O importante é ter a clareza de que nada dura para sempre, que a dor do fora vai passar sim, e acreditar que dias melhores virão.

5. O coração se regenera

Assim como a cauda da lagartixa amputada, o coração também tem o poder de se regenerar. Esquisitices à parte, sabemos que somos resilientes, temos o dom de nos reerguer das cinzas até mais fortes, mais felizes, mais inteiros do que antes. Um fora pode ter servido para nos fazer refletir sobre nossas ações, a crescer, a mudar certas atitudes. Por mais que seja um soco no estômago, tomar um fora pode ser libertador e transformador. Pode nos tornar mais interessantes e maduros para relacionamentos futuros.

Tem quem acredite que nada melhor do que um grande amor para esquecer o antigo; eu acredito que nada como um coração cheio de cicatrizes para reconhecer um novo amor, mais verdadeiro, recíproco e capaz de trazer felicidade.

E você, caro colega descartado, tem alguma ex que ainda mora no seu coração, ou já está de peito aberto pro próximo amor?






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