CoCONVERSAR COM PESSOAS QUE OUVEM, NÃO TEM PREÇO

Não tem preço o prazer de conversar com pessoas que ouvem, que sabem o seu lugar de fala, que não atropelam, que não impõem pontos de vistas, que compartilham e trocam.

Por Prof. Marcel Camargo

Um olhar mais atento sobre a sociedade atual nos deixa perplexos com a superficialidade que predomina nos vários setores da vida.

É gente correndo atrás de curtidas, é gente malhando o corpo loucamente, é gente valorizando o que se compra, é gente consumindo sem parâmetro algum.

Tudo bem querer notoriedade, cuidar do corpo, querer conforto material, mas centrar-se tão somente nisso não enriquece o conteúdo de nada.

Excessos opostos são nocivos na mesma medida. De que adiantam músculos, se a pessoa não sabe nada do que ocorre no mundo além das academias?

De que adianta comprar tudo o que se vê pela frente, se a pessoa não consegue lidar com as questões emocionais?

De que adiantam milhares de seguidores, se não houver ao menos uma pessoa em quem confiar?

Quando a gente foca demais no superficial, na materialidade, a gente acaba sendo negligente com o que não se vê, nem se compra, ou seja, a gente acaba negligenciando sentimentos e valores.

Da mesma forma, a gente vai se afastando de tudo o que fica lá fora, de tanto que priorizamos o próprio prazer, que então é baseado no que temos, no que é nosso. Os outros acabam ficando de fora, esquecidos, invisíveis.

Quem só enxerga a si mesmo e prioriza tão somente satisfazer ao próprio ego fatalmente se torna alguém que não consegue dialogar sem orbitar em volta do próprio umbigo.

Desenvolver conversas profundas requer um olhar que se estende além de si, um entendimento do que é contraditório, do que é de fora, do que é dos outros. Diálogo requer sentimentos, afeto e empatia.

Por isso é que não tem preço o prazer de conversar com pessoas que ouvem, que sabem o seu lugar de fala, que não atropelam, que não impõem pontos de vistas, que compartilham e trocam.

Quando a gente conversa com as pessoas certas, a gente aprende, a gente fica mais rico por dentro. E ser rico do que não se pode comprar nem vender é um dos maiores prazeres dessa vida.

*DA REDAÇÃO HP. Foto de Paras Kapoor no Unsplash


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