Nostalgia, melancolia, apego, rancor, sentimentos que surgem quando o passado ainda se faz presente, consumindo nosso precioso tempo ao reverberar no agora algo que já não existe mais. Transformam o hoje num eco do ontem e nos tornam reféns de situações sobre as quais não temos mais acesso.

Entender o processo de transformação da vida e aceitar que, nada além da mudança é uma constante, é a chave para termos liberdade e livre arbítrio. Permite tomarmos decisões que conduzem a novos caminhos e à felicidade em última estância. Quando nos fixamos em um evento passado, um amor, um trabalho, uma época da vida, por exemplo, deixamos de perceber e incorporar o presente. Deixamos de vivenciar as possibilidades que surgem, evitamos nos envolver em novos relacionamentos e projetos, porque tudo nos remete ao que ficou para trás. Ficamos escravos de padrões antigos, seja procurando perpetuá-los no presente, seja agindo para evitá-los a qualquer custo, no caso de remeterem a algo que foi aversivo.

Um relacionamento tóxico, cuja tônica tenha sido marcada por ciúmes, possessividade e violência, pode ser a âncora que estanca a evolução de uma pessoa. Ao não se curar desta ferida tudo o que acontecer na esfera amorosa vai repercurtir o trauma passado. As inseguranças, as esquivas, inclusive os desfechos, acabam refletindo uma postura antiga, que não necessariamente tem sentido no presente.

As pessoas que se intitulam “dedo podre” para namorados, por exemplo, estão apenas repetindo um padrão passado. Elas se estancam num perfil e os mesmos problemas se repetem, relacionamento após relacionamento. Enquanto não se desvincularem deste padrão e se curarem do que o moldou, dificilmente terão um namoro satisfatório.

“Cure-se das suas feridas, para não sangrar em quem não te feriu”

Superar, por meio de terapias, aconselhamentos e novas experiências, por exemplo, perdoando a si mesmo por ter se permitido entrar nessa situação e compreendendo que as coisas podem ser diferentes daí em diante, é a maneira mais saudável de encarar o presente e o porvir.

O passado pode aprisionar, enquanto o presente pode libertar. É no agora que existe a chance de fazer diferente e se permitir vivenciar o novo, com todas as possibilidades que ele comporta. Pode ser um processo árduo de experiências frustradas, anos vivendo em função de alguma crença que já não se aplica mais. É como usar óculos para leitura para dirigir. Não pode dar certo. As situações mudam, nós mudamos. Adaptação, flexibilidade, resiliência são as armas que nos fazem ter mais controle sobre nossas escolhas e nos permitem desfrutar das novas possibilidades, enxergando com clareza o que se apresenta em nossas vidas. É preciso adaptar as lentes para cada situação, para cada momento, senão acabaremos nos esborrachando na contramão, ou não enxergando as entrelinhas…

Exaltar o passado, sentir saudades do que se foi, relembrar para reviver é o que nos define, o que dá sentido a nossa existência. Ele é o responsável pelo quem nos tornamos; é quem permite que aprendamos, quem detém nossos erros e acertos. O passado pode ser um professor, mas pode também ser nosso carrasco.

Um fato maravilhoso que passou precisa mesmo ser relembrado com saudades, mas sem apego. A partir do momento em que nos fechamos ao novo, acreditando que só o que passou foi bom, desmerecemos o valor do que nos é desconhecido e isso nos torna uma versão menor de nós mesmos, aquém do que seríamos caso nos entregássemos ao novo e suas possibilidades. Assim, estagnamos nossa própria evolução.

É preciso deixar que o passado ocupe seu devido lugar, que seja trabalhado e superado, no caso de traumas e das más experiências e relembrado com saudades e carinho quando remeter às boas. Reflita o quanto seu passado te aprisiona ou liberta e esteja aberto ao presente, sem amarras, para não ficar à margem de si mesmo.

 

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