Dor emocional: Quando a dor vai além da tristeza!

O luto é um estado emocional que coloca uma laje de desânimo, tristeza e desesperança em nossas vidas. Por trás desse sentimento, muitas vezes, sufocante, pode estar a depressão. O luto emocional pode acontecer, mesmo que ninguém que amamos tenha morrido.

Experimentar tristeza emocional é como viver sob toneladas pedregosas de tristeza e desânimo.

Poucas sensações são mais aniquiladoras para o ser humano do que essa sensação imprecisa, confusa, profunda e persistente. É semelhante a um afogamento, uma pressão no peito ou um nó na mente, impossível de desembaraçar.

Embora seja verdade que toda emoção nada mais é do que uma resposta para fins adaptativos, existem estados psicológicos que são mais fáceis de entender e regular.

A pessoa experimenta tristeza ao lidar com algum tipo de perda ou decepção. Você sente raiva ou frustração após uma desavença, um mal-entendido ou uma injustiça. No entanto, o que desencadeia o que definimos como “peso” ou luto emocional?

Na realidade, esse estado combina vários processos emocionais de alto impacto. Isso faz com que a pessoa sofra devido a sua atitude em relação ao comportamento.

O corpo desacelera, tudo pesa muito mais, a motivação está ausente, não encontramos esperança, e o mundo parece um pouco mais cinza através dessas lentes pesadas.

O que podemos fazer nessas situações?

“O peso é uma doença em que cada paciente deve se tratar”-Voltaire

O que é luto emocional?

A palavra tristeza é composta de dois termos latinos: pensum e umbre. O primeiro significa ‘peso’ e deriva de pendere (pendurar devido à força da gravidade da Terra) e o segundo é um sufixo de qualidade.

Tudo isso poderia ser traduzido como algo que exerce sobre nós um peso angustiante, um fardo que nos pressiona, que nos atrasa e nos deixa à margem da tristeza.

A verdade é que podemos sentir tristeza por conta de muitas coisas. Perder o emprego, sofrer uma perda, um rompimento … No entanto, esse estado de luto emocional, tem outra cadência, que vai além da mera tristeza. É algo mais profundo, mais difuso.

De fato, o luto emocional é tão complexo e impressionante que houve um tempo em que essa dimensão estava muito presente na filosofia.

O filósofo Jean-Paul Sartre nos falou em Náusea sobre seu sentimento de pessimismo e melancolia existencial. Esse sentimento derivou (segundo ele) da percepção do vazio, da solidão, de não compreender qual o significado de si mesmo com a sociedade, de ver a própria liberdade limitada. Mais tarde, Rollo May também se aprofundaria nesse conceito.

Para Rollo May, psicólogo humanista e existencialista, o luto fazia parte da depressão. Revelou a incapacidade da pessoa em construir um futuro e esclarecer seus significados vitais e sociais.

A carga de eventos estressantes repetidos

Por baixo do peso emocional há algo mais do que tristeza, há aquela falta de sentido de que falava o existencialismo.

Na realidade, esse estado psicológico também decorre da vivência de diversos eventos estressantes repetidos ao longo do tempo. De certa forma, isso também está relacionado à teoria da depressão de Aaron Beck.

Em outras palavras, quando temos várias experiências de vida adversas ou problemáticas, é muito fácil cair em um estado mental dominado pela negatividade.

Deixa-se de confiar no futuro. Ele olha para tudo através do filtro da ameaça e da preocupação.

Caímos na tristeza porque o que já vivemos “nos pesa” e porque o que pode vir desperta em nós maior preocupação.

Assim, um estudo da University of British Columbia destaca essa associação.

Eventos estressantes são, em muitos casos, o gatilho para a depressão maior. Fatores como desemprego, problemas familiares, incertezas ou lidar com uma doença vão construindo gradualmente aquele peso mental que nos sufoca e nos tira o ânimo.

Luto emocional e somatização

Com efeito, o luto emocional tem uma particularidade e é a somatização. Esse estresse acumulado ao longo do tempo, cria a desesperança, a tristeza e a apatia que acabam aderindo ao corpo.

A laje das emoções materializa-se em dores físicas, cansaço, dormência muscular e sensação de lentidão.

Quase sem perceber, acabamos presos em um círculo vicioso que se alimenta de si mesmo.

O desconforto emocional que persiste dia após dia acaba se transformando em desconforto físico. Assim, aquela sensação de “peso” corporal que nos impede de levar uma vida ativa normal também diminui ainda mais o nosso espírito.

É como viver em uma prisão de excesso de peso mental e físico que dói, que nos irrita, que nos torna cativos de algo que não podemos terminar de definir.

O problema com o sofrimento emocional é que ele é causado por uma combinação de muitos fatores. Temos dificuldade em definir a que se deve esse estado mental e físico. Ao mesmo tempo, exaspera-nos sentir-nos tão apáticos, doloridos, sem graça…

Como remover o peso do desconforto e do sofrimento

Quando nos sentimos tristes, não apenas o mundo desacelera, mas nossas mentes também ficam embotadas e entorpecidas. Tudo isso é efeito do estresse crônico e, às vezes, também de uma depressão maior subjacente. O mais indicado nesses casos é pedir ajuda especializada.

No entanto, não deixemos de lado um aspecto. O luto emocional é um amálgama de muitos sentimentos que devem ser especificados, identificados e nomeados.

Também é essencial desativar esse viés de interpretação que rotula tudo como ruim e negativo. Quem olha a vida com desespero constrói sua própria prisão de barras de vidro.

Vamos tentar estabelecer pausas entre eventos e performances. Ou seja, toda vez que algo acontece, evitamos dar uma interpretação adversa. Se tal pessoa não nos chama, não pensemos mal.

Se houver alguma má notícia no noticiário hoje, evitemos pensar no fim do mundo. No caso de chover hoje, não vamos dar como certo que vai chover amanhã também.

Compreender os mecanismos que nossa mente usa para nos enfraquecer é sempre útil. Da mesma forma, também devemos nos capacitar a lidar com o desespero.

É verdade que a vida é complicada e, às vezes, muitas coisas complicadas nos acontecem uma após a outra.

Aprender a navegar na adversidade é uma ferramenta de vida que todos devemos adquirir para aprendermos a superar a tristeza … Aquela que sempre insiste em tornar nosso caminho mais pesado.

*DA REDAÇÃO HP. Com informações LMM. Traduzido e adaptado por Homem na Prática. Foto de Andrea Bertozzini no Unsplash.


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