“Foi Só uma Luxação”! Quem é que já não ouviu essa famosa expressão de comentarista esportivo, ao tentar consolar expectadores que assistem atentos os seus ídolos do esporte se contorcendo de dor em meio a uma partida emocionante? Apesar de sua boa intenção, este comentarista nem imagina o quão comprometedora pode ser uma luxação na vida de um atleta.

A luxação de uma articulação ocorre quando as superfícies das articulações ficam completamente separadas uma das outras. Os traumas são os maiores causadores desta condição, que pode também resultar de má formação congênita das superfícies articulares.

Muitas luxações traumáticas estão associadas a fraturas, tais como as de cotovelo, tornozelo, quadril e vértebras. Frequentemente, as luxações são acompanhadas por danos nos tecidos moles, por causa de estiramento ou ruptura das estruturas ao redor da articulação. Os ligamentos também podem ser rompidos, parcial ou totalmente, o que pode exigir reparo cirúrgico. Os músculos, tendões, bainhas sinoviais e cartilagens também podem ser danificados.

Sintomas

  • Dor intensa, pior do que a habitualmente sentida com uma fratura.
  • Deformidade visível, porque o contorno normal da articulação pode ser modificado. No entanto, pode haver ocasiões em que a deformidade não é discernível ou há uma fratura associada, o que pode fazer com que a luxação seja negligenciada.
  • Após algum período de tempo, outras características podem surgir, tais como: tumefação, que ocorre como resultado do rompimento dos tecidos moles e com reação inflamatória; contusão, que é devida ao extravasamento de sangue dos vasos lesado; rigidez, que é o desenvolvimento de aderências, podendo criar problemas na recuperação da função.
  • Fraqueza muscular, ocorrendo nos músculos ao redor da articulação. Pode haver ainda, um quadro de luxação recidivante, que acontece quando a lesão provocada pela primeira luxação não cicatriza, acarretando em nova luxação. É mais comum em jovens pelo fato de o trauma inicial ser geralmente mais grave, por eles serem mais ativos e geralmente, praticantes de atividade física.

Quando a reluxação é muito frequente (instabilidade) e prejudicar as atividades normais do individuo, recomenda-se a cirurgia. Caso apresente os sintomas descritos acima ou suspeite de uma luxação, é um caso de urgência médica, devendo procurar um atendimento médico o mais rápido possível.

Tratamento

O ortopedista deverá solicitar um Raio X para ver a direção e extensão da luxação, e verificar se há fraturas associadas. Então, o paciente será sedado e a articulação será colocada no lugar (procedimento chamado redução). Neste momento a dor aguda irá cessar.

Após a redução, a articulação acometida (ombro, tornozelo, cotovelo…) será imobilizada por algumas semanas. Para reduzir o processo inflamatório, o paciente será orientado a colocar gelo por 20 minutos, três a quatro vezes ao dia sobre a região. Passado este período de cicatrização da articulação, pode ser necessário iniciar um programa de fisioterapia para fortalecer os tendões, ligamentos e músculos, bem como para prevenir novas luxações. A recuperação funcional deve ocorrer em alguns meses. Tempo o suficiente para deixar fora da Copa do Mundo qualquer artilheiro da seleção…

Em suma

A ocorrência de uma luxação, como se pode perceber, não é nada simples, inofensiva ou deve ser usada como consolo para o atleta lesionado, ou sua torcida aflita. Por essa razão, sugiro que com todo seu olho clínico para diagnósticos e vastos conhecimentos em ortopedia, o comentarista troque o seu jargão, e passe a dizer (ou melhor, gritar, em alto e bom som, como é de seu costume): “Xí amigos… Será uma luxação??”

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