Das duas uma, ou você já se considerou muita areia pro caminhãozinho de alguém, ou já achou que seu caminhão era pequeno demais para dar conta de tanta areia. Não importa, o fato é que tendemos a quantificar nossos atributos e os atributos alheios como se fossem grãos de areia, todos no mesmo nível, todos com a mesma qualidade. E o valor que damos a cada um deles é fruto de uma série de condicionamentos aos quais fomos submetidos ao longo de nossa história.

Enquanto pra uns a aparência física pesa muito no quesito atração, para outros a inteligência é um fator decisivo, ou o senso de humor, a classe social, o número de seguidores nas redes sociais, e por aí vai. As preferências e escolhas que fazemos são elencadas de acordo com nossas histórias pessoais, relacionamentos do passado e principalmente a partir de nossos vínculos amorosos, criados e consolidados com nossas familiares e cuidadores.

Os critérios que usamos para definirmos a quantidade de areia que podemos levar em nossos caminhõezinhos são dados pela nossa própria autoestima. Quando temos uma boa autoestima, nos consideramos pessoas interessantes e com muitos pontos fortes, mesmo que não sejamos lindos e perfeitos e aí nos permitimos transbordar de areia. Aliás, não aceitamos nem engatar a primeira marcha se a caçamba não tiver uma quantidade bastante razoável de areia para transportar. Isso significa que quanto mais nos valorizamos, maior passa a ser a qualidade de nossos relacionamentos, ficamos mais exigentes também quanto aos atributos de nossos parceiros. E o inverso é verdadeiro também. Quanto menos nos consideramos bons, menos areia aceitamos transportar, com menos nos satisfazemos e conformamos.

Quantos casais famosos ou não conhecemos de pessoas que parecem não ter nada em comum, mas que são perfeitas juntas? Pessoas que acreditamos ser muita areia para o caminhão do parceiro, mas que mesmo assim prosperam. Ele baixinho, ela com 1,80; ele o patinho feio, ela supermodelo de passarela; ele quieto e introvertido, ela a mais popular do pedaço; ele anônimo, ela youtuber de sucesso… Isso tudo porque é subjetivo o valor que cada um atribui às qualidades do outro e se pauta no valor que se atribui a si mesmo, em primeiro lugar.

Sem quebrar o tabu das diferenças, a Dama e o Vagabundo nunca teriam dividido o adorável prato de espaguete. É preciso ter uma imagem positiva de si mesmo para ir em busca daquilo que merecemos. Isso vale para tudo, desde se acreditar merecedor capaz de e conseguir o emprego ideal até conquistar a garota dos sonhos. Isso explica porque o baixinho narigudo acreditou em seu charme e potencial na hora de investir na loira mais cobiçada do momento. E o porquê dela se deixar conquistar pelo seu senso de humor e inteligência, sem nem se abalar quanto à aparência pouco privilegiada do rapaz.

No fundo, ninguém é muita areia pro caminhãozinho de ninguém. E é bem aí que está a graça de tudo. Acredite em você, nos seus pontos fortes, valorize-se. Cuide bem do seu caminhão e se permita transbordar de areia nas viagens futuras!

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