Por Rodrigo Bandeira

“Campeões não são feitos em academias; são feitos de algo que eles têm profundamente dentro de si – um desejo, um sonho, uma visão”. Mohamed Ali

8dd0c5cf e06a 4f33 8af0 a1facc6902a5418 225x300 - O caminho é a meta

A felicidade é uma direção, não um lugar. O caminho é a meta. Quem se torna praticante das artes marciais, mais do que se engajar em técnicas de luta e defesa pessoal, está se comprometendo com uma filosofia de vida. Os princípios da disciplina, do autoconhecimento e evolução contínua devem permear toda a trajetória de seus adeptos.

“Sem o controle da mente não é possível controlar o corpo. Sem conhecer a mente não é possível conhecer o corpo. Corpo e mente devem ser observados e treinados com a mesma intensidade. Os movimentos dependem de comandos mentais. As emoções podem provocar comandos imprecisos. Ter boa técnica, apenas, não é suficiente.” Monja Coen

Como praticante de três modalidades de artes marciais: o judô, o hapkidô e o jiu jitsu, aprendi que medalhas e troféus, títulos e reconhecimento são importantes na medida em que pontuam o aprendizado das técnicas e motivam a continuar buscando evolução.

No período de 60 dias participei de três campeonatos de jiu jitsu, incluindo o Paulista e o Mundial. No primeiro deles, não subi ao pódio; no segundo, levei bronze; no terceiro prata; e no último, ouro.

A evolução no preparo físico, no aprimoramento das técnicas e do domínio mental resultaram nesta evolução do meu desempenho. Sou grato por estas vitórias, mas percebo que apesar de coroarem anos de treinamentos, lesões e dedicação extrema, esses títulos não são o suficiente, nem requisitos, para manterem os praticantes no caminho das artes marciais.

O autoconhecimento, a superação dos próprios limites e a contínua evolução fazem das artes marciais um caminho gratificante por si só. Seus princípios, não pódios, levam à realização pessoal em última instância. Assim como nos tatames, quem luta leva para a vida uma postura ética, onde o conhecimento quanto aos próprios limites, virtudes e fraquezas, bem como o autocontrole diante das circunstâncias desafiadoras são pilares para as atitudes cotidianas.

“Se você quer chegar onde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz”. Bill Gates

Tornar-se faixa preta é atingir o nível de excelência nas artes marciais. Por trás dela há anos de treinamentos, mesmo estando com dor, mesmo estando doente, em dias de verão e de inverno. Debaixo de seu nó, escondem-se namoros que não resistiram à atenção dada aos tatames, pais e mães que ficaram roucos de tanto torcer e tantas coisas gostosas que se deixou de comer, para não prejudicar o desempenho… Tornar-se campeão é coroar um processo, sem demarcar com isso o seu término.

Abre-se mão de muitas coisas para se chegar a um estágio avançado. Muita força de vontade e desejo de superação são essenciais para que o praticante não se desvie de seus objetivos e permaneça comprometido à filosofia das artes marciais.

O simples caminhar pelas cores das faixas, pelos degraus do pódio, pela busca do domínio da mente e do corpo é que dá sentido à prática das artes marciais; a prática em si é o objetivo, o próprio caminho é o destino final.

Com isso em mente, com essa meta, sigo me preparando para os próximos desafios, dentro e fora dos tatames. Oss…

 

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Rodrigo Bandeira
Terapeuta pós graduado em acupuntura, professor e atleta de artes marciais Mestre Reiki. Campeão Mundial de Hapkido, com títulos no jiujitsu e no Judô. Fala sobre terapias, artes marciais e bem estar.