Por Dr. Dylan Selterman

Artigo original

Relembre um momento em que você se sentiu traído. O que a pessoa te fez? Ela confessou a traição? Como você se sentiu? Por que acha que se sentiu assim?

Em um novo artigo, eu e meus colegas nos propusemos a descobrir algumas das razões pelas quais as pessoas pensam que traições são ruins. Nossa pesquisa focou no julgamento moral, que é o que acontece quando você pensa que as ações de uma pessoa são erradas, e nas razões morais, que são as coisas que explicam o julgamento moral. Por exemplo, você pode ouvir uma notícia sobre um tiroteio violento e dizer que é algo errado (julgamento moral), porque as pessoas foram fisicamente prejudicadas (razão moral). Ou você pode ler sobre um político que ajudou um adversário estrangeiro em segredo e dizer que é errado (julgamento moral), porque o político foi desleal ao seu país (razão moral).

A maioria das pessoas acha que a infidelidade é moralmente errada. A maioria das pessoas também pensa que é melhor confessar ao parceiro depois que cometeu a traição ou confessar que reatou com seu ex. Dizer a verdade é bom, assim como resistir à vontade de ter casos (se você tem um relacionamento monogâmico). São todos julgamentos morais. Queríamos estudar as razões morais para esses julgamentos e usamos a teoria das fundações morais (MFT). Para recapitular, essa teoria diz que as pessoas têm um monte de diferentes preocupações morais. Nós preferimos minimizar o dano e maximizar o cuidado, promover a igualdade/justiça e liberdade, respeitar figuras da autoridade, permanecer leais a seu grupo social, e permanecer puros (isto é, evitando coisas degradantes ou repugnantes).

Agora, pense em todas essas preocupações morais. Quais você acha que são relevantes para omitir ou confessar uma traição? Suspeitamos que a importância da lealdade e da pureza sejam as principais razões pelas quais as pessoas fazem esses julgamentos morais, mais do que se alguém foi prejudicado. Pense nisso desta forma — se o seu parceiro lhe disser que ele fez sexo com outra pessoa, isso pode te fazer se sentir muito ferido. Mas, e se ele não te dissesse, e você nunca descobrisse? Você poderia ser mais feliz nesse caso, mas algo me diz que você ainda iria querer saber sobre a traição do seu parceiro. Mesmo que a confissão do seu parceiro cause dor, vale a pena confessar, porque a confissão mostra lealdade e pureza.

Para testar isso, demos às pessoas algumas histórias fictícias descrevendo cenários realistas onde o personagem principal tinha um caso, e então confessou a seu parceiro ou manteve-o em segredo. Depois, perguntamos aos participantes sobre o julgamento moral (por exemplo, “quão éticas eram essas ações?) e sobre razões morais (por exemplo, “quão leais eram essas ações?”).

Como esperado, quando o personagem confessou, os participantes avaliaram suas ações como mais prejudiciais, mas também mais puras e leais, em comparação com os participantes que leram sobre o personagem que manteve o caso em segredo. Assim, apesar dos danos adicionais causados, os participantes pensaram que o ato de confessar a traição era algo bom. Se minimizar o dano fosse a coisa mais importante, então as pessoas diriam que manter o segredo é mais ético do que confessar — mas isso não foi o que constatamos.

Encontramos resultados semelhantes em um segundo experimento, em que a traição do personagem era estar se relacionando com a ex de seu melhor amigo, e em seguida por uma confissão ou omissão do caso. Mais uma vez, os participantes pensaram que o confessar ao amigo era moralmente melhor do que omiti-lo, apesar dos maiores danos causados, porque confessar era mais puro e leal.

Em nosso terceiro experimento, o personagem traiu seu parceiro antes de romper, ou se separou primeiro antes de fazer sexo com um novo parceiro. Nós fizemos as mesmas perguntas de julgamento moral depois. É notável que nesta experiência, os personagens se separaram de qualquer maneira, por isso a infidelidade não é a causa de danos no longo prazo para o relacionamento. Omitir não teve uma consequência prejudicial, mas as pessoas ainda o viram como antiético. Por quê? Porque os participantes achavam que trair era mais desleal do que romper primeiro.

No geral, nossos experimentos mostraram que as pessoas têm variadas preocupações morais quanto a comportamentos em relacionamentos. Com base em nosso estudo, recomendamos que as pessoas falem abertamente com seus parceiros, amigos e membros da família sobre as diferentes preocupações morais que eles têm. Talvez futuras pesquisas demonstrem como a comunicação aberta sobre preocupações morais pode ajudar as pessoas a resolverem conflitos de relacionamentos.

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