Se existe um termômetro para medir a qualidade de um relacionamento amoroso, ele é se chama reciprocidade. Reciprocidade nos olhares, nas palavras, nos beijos, nos carinhos, nos sonhos… Dizer “eu te amo” e não escutar de volta é um golpe à autoestima; é ser tirado do mundo da fantasia e arremessado à crueza dos fatos de que o sentimento não é recíproco.

Como avaliar se o sentimento é recíproco, sem precisar arriscar um “eu te amo” seguido de silêncio absoluto? Existem alguns parâmetros que podem ajudar nessa tarefa. O primeiro é refletir sobre o quê cada um abre mão para contribuir no equilíbrio do relacionamento.  Isso porque fazer pelo parceiro (por desejo ou pela necessidade dele) e em prol do relacionamento, abdicando de algo que lhe agrade, tem muito peso na balança do amor.

O desafio é conseguir fazer uma análise racional das variáveis que interferem nas contribuições de cada um com o relacionamento. Em geral, quem nos auxilia nessa análise não é a lógica, é a intuição.

Um critério a se considerar no quesito reciprocidade é a maneira com que cada um consegue retribuir às contribuições do outro. Por exemplo, se um dos dois é ótimo para planejar viagens, organizar hotéis, comprar passagens, reservar passeios, etc, ele deve assumir o papel e não esperar que o outro, caso não tenha os mesmos talentos, retribua na mesma medida. É importante que cada um esteja aberto e disposto a fazer pelo relacionamento aquilo que de fato pode fazer. Promessas utópicas só atrapalham. Além de ser desgastante, pressionar ou esperar que o outro faça junto o que é agradável só para você, não leva a lugar nenhum.

É importante também para que a equivalência equilibre a relação, reconhecer o empenho do parceiro, mesmo que nem sempre consiga colaborar para o sucesso do relacionamento. Se o marido resolve preparar um jantar, por exemplo, mas acaba preparando uma gororoba, a esposa pode retribuir estimulando a iniciativa, apesar do fracasso da empreitada. Ela poderia até dar algumas dicas culinárias, mas não criticar a boa intenção do marido.

Além dessas questões, é fundamental que o casal entenda o momento pelo qual o seu parceiro está passando e o respeite. Eventualmente, todos passamos por fases difíceis, problemas de saúde, estresse no trabalho, etc. E é nesses momentos que esperamos que o outro nos apoie e conforte, assumindo parte de nossas atribuições até que a situação se normalize. Em situações como essas, precisamos dar uma trégua e não cobrar, aguardar pelos dias melhores que virão. E quando a coisa se inverter e estivermos nós na situação prejudicada, esperamos que a recíproca seja verdadeira e nossos parceiros também ajam com a mesma paciência.

Enfim, conseguimos avaliar se há reciprocidade quando no casal ninguém precisa pedir que seu parceiro faça algo pela relação; cada um sabe exatamente quando é seu momento de agir ou abdicar de algo, porque o valor das ações de um reverbera no outro, e vice-versa.

A reciprocidade alimenta o relacionamento, a falta dela debilita. Quando há a sensação de que o outro nunca retribui, nunca abre mão de nada em prol do relacionamento, quando o “eu te amo” que se diz definha em solidão, não há reciprocidade.

Desista de insistir onde não há espaço para a reciprocidade, valorize-se e procure desapegar! Pior do que perder alguém é insistir em algo que não é recíproco.

RECOMENDAMOS


COMENTÁRIOS




Homem na Prática
Queremos falar de forma descontraída sobre o universo masculino sem qualquer estereótipo. Prazeres, Família, Trabalho, Finanças, Futuro e Gastronomia. Papo aberto, franco e direto!